oscar 2015: stay weird, stay different

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Ontem foi dia de Oscar. Minha vontade era fazer um textão, comentando em minúcias todas as apresentações, as piadas (sem graça) e fazer uma pequena dança da vitória por American Zzzzniper não ter levado para casa o prêmio de Melhor Filme. Mas aí eu vi o discurso do Graham Moore (ganhador de Melhor Roteiro Adaptado por O Jogo da Adaptação) e percebi que ele por si só, já merecia um post.

“Quando eu tinha 16 anos, tentei me matar porque me sentia estranho e diferente, como se simplesmente não pertencesse a nenhum lugar. Queria dedicar este momento àqueles que sentem que não se encaixam em nenhum lugar. Vocês se encaixam. Eu prometo que sim. Continuem estranhos. Continuem diferentes. Quando for a sua vez e você estiver neste palco, por favor passe a mesma mensagem para os próximos que virão.”

Existe uma coragem hercúlea para admitir algo tão pessoal em um dos prêmios mais importantes da atualidade. Numa sociedade em que fomos ensinados a não falar sobre suicídio e ignorar completamente doenças da mente, tais lembretes de que esses assuntos são importantes e merecem ser discutidos, não podem passar despercebidos. A pressão que sofremos diariamente para atingirmos certo nível de perfeição e de aceitação é exaustiva. Particularmente, já me vi submetida a tais exigências absurdas e muitas vezes, me senti enfraquecida e completamente incapaz de atingir tais expectativas.

Entretanto, me sinto abençoada de poder vivenciar uma época em que a cada dia mais, somos celebrados por nossas diferenças.

Como tenho muitas leitoras no limiar entre a pré e a adolescência de fato, resolvi que escreveria tal post para relembrá-las de que cada aspecto que elas possam considerar um defeito, pode eventualmente se tornar uma dádiva. Eu nunca fui popular. Passei a maior parte dos meus dias escondida na biblioteca do colégio e preferia dar minha atenção aos livros ao invés de me engajar em qualquer atividade mais “socialmente aceitável”. Sempre recebi olhares tortos e fui chamada de nomes que nunca repetirei em voz alta. Foram inúmeras as vezes em que pensei em desistir. Qual era o propósito daquilo? Existia um motivo para eu me sentir tão deslocada?

No final das contas, eu sobrevivi e resisti. Não deixei que os rótulos que me perseguiram por metade da vida, me definissem e me tornei o meu próprio eu. Se neste momento você está passando por algo parecido, guarde a minha dica: vai melhorar. Nós vivemos numa época incrível e vale a pena continuar aqui para ver as mudanças que vamos instaurar.

Por todos os Grahams deste mundo: Stay weird. Stay different.

XOXO
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