broad city e os vinte e poucos anos

3 min leitura

Lembro da primeira vez em que ouvi Fábio Jr. cantar 20 e Poucos Anos. Eu nem ao menos havia atingido o ápice da minha puberdade e não passava de uma adolescente desajeitada, deslocada e desproporcional.

Na época da revolução dos meus hormônios, eu só desejava chegar logo aos vinte e poucos que o Fábio tanto falava. Ele fez com que eu romantizasse excessivamente a perspectiva de um futuro “melhor”.
Jurava que aos vinte e poucos já haveria atingindo independência (emocional e financeira) e que ditaria as regras do meu futuro (que obviamente seria brilhante).

O tempo passou e em um piscar de olhos, cheguei aos vinte e tantos. Os delírios sobre ter total controle foram substituídos por uma amarga realidade: eu não fazia a menor ideia do que estava fazendo com a minha vida. Precisei de muita terapia para entender o que havia ocorrido. Cadê aquela adulta que sabia das coisas e era determinada do jeito que o Fábio ju-rou que um dia eu seria?

Pois é, não rolou. E quer saber de uma coisa? Aprendi que tudo bem. Somos uma geração diferente e que está restabelecendo os conceitos sobre o que se pode esperar da vida adulta.

Não ter o emprego dos sonhos? Ok.
Não ser casada e com filhos? Ok.
Não morar num duplex no Jardins? Ok.
Não ter encontrado a alma gêmea? Ok.

O importante é ter a consciência de que você só terá vinte e poucos por pouco tempo e é necessário aproveitar tudo o que esta fase pode oferecer.

E foi por isso que me apaixonei por Broad City. Uma comédia maravilhosa, produzida pelo Comedy Central, redefinindo os conceitos do que é a vida adulta. Ilana e Abbi são melhores amigas, não tem empregos maravilhosos, bebem (e fumam) além da conta e tem um saldo bancário negativo. Sabe qual é o relacionamento mais importante da vida delas? É isso aí, a amizade. Nem uma e muito menos a outra, está desesperada atrás do príncipe encantado para casar e ter uma penca de filhos.

Além de expor todas essas verdades sobre esta nova geração de adultos, o mais incrível é que (ao contrário do que foi afirmado cantado pelo Fábio) elas não tem planos nenhum. O seriado é muito mais sobre conseguir sobreviver mais um dia, do que atingir a utopia da “vida perfeita”.

Após assistir cada episódio, tenho a sensação de ter passado a última meia hora com uma das minhas melhores amigas: só colocando o papo em dia, falando sobre como odiamos tudo (mas amamos ao mesmo tempo), bebendo e buscando um sentido para a vida.

Broad City é de uma realidade tão palpável que até o cenário mais esdrúxulo consegue ser compatível com o nosso dia a dia. É complicado ser adulta, viver em uma cidade grande, saber que o mundo espera grandes feitos de sua parte e que bem no fundo, você sabe que o Fabinho tinha muita razão: e eu só quero dessa vida é ser feliz.

XOXO
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0 Comments
  • Dayane Pereira
    julho 23, 2014

    Já ouvi pessoas com um ótimo gosto para filmes, séries e tudo mais recomendando esta série. Gostei muito da sua resenha! Tô muito a fim de começar.; Me lembra um pouco da plot de Girls, você já assistiu? Confesso que acabei abandonando Girls, mas preciso retornar! Me identifico muito com este estilo Francês Há de viver rs

  • Camyli Alessandra
    julho 23, 2014

    To passando pela crise dos 20 poucos anos… mas sabe, paramos de só sonhar pela "vida perfeita" e começamos a ficar mais pé no chão… vale mais a pena!

  • Luma Kimura
    agosto 4, 2014

    Este comentário foi removido pelo autor.

  • Luma Kimura
    agosto 4, 2014

    Ai… não sei o que fiz aqui, na hora de selecionar a conta com a qual iria comentar, acabei excluindo o comentário, não sei se você recebe alguma notificação, então não estranhe. rs

    Não me lembro exatamente o que eu havia escrito, apenas que eu não passei pela crise dos 20, mas que venho sentindo o peso desse tipo de coisa agora, nos meus 30 e poucos. Parece que as cobranças ficam mais fortes e o que estou procurando é justamente reaprender, todos os dias, que tudo bem.

    No mais, não conhecia a série, mas fiquei curiosa, parece bem interessante. =)

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