a síndrome do impostor

5 min leitura

Eu descobri que sofria da “Síndrome do Impostor” quando precisei me apresentar para o um novo chefe. Imediatamente, me senti insegura e nem um pouco confortável com essa dinâmica.
Após meia hora excruciante em que eu apresentei minhas qualificações, formações e portfólio, corri para uma amiga próxima e desabafei:

– Eu me senti tão idiota listando minhas qualificações.
– Por quê?
– Acho que ele vai pensar que eu estou inventado ou vai me achar muito arrogante.
– Mas você tem essas qualificações, ué.
– Eu sei, mas mesmo assim não parece que eu as mereço.

Se eu estudei (muito) e sempre coloquei meu conhecimento em primeiro lugar, por qual motivo estava tão desconfortável em me orgulhar disso? A resposta é simples: eu me sentia uma fraude. Era como se todos os meus colegas merecessem estar onde eu estava, como se meus superiores vivessem na espreita, aguardando o meu primeiro deslize só para apontar e dizer: “Eu te disse que ela não era tão boa assim”.

Eu nem ao menos sabia, mas sofria de um mal que atinge muitas mulheres high-achieving: a Síndrome do Impostor.

A síndrome do impostor é um fenômeno caracterizado por uma sensação de incompetência, os profissionais não acreditam ao talento seu sucesso e acreditam que chegaram lá por pura sorte e que logo serão desmascarados.

Os sintomas mais comuns desta síndrome, podem incluir:
✓ Dificuldade em aceitar elogios por um trabalho bem feito.
✓ Discursos autodepreciativos;
✓ Um alto nível de stress no ambiente de trabalho;
✓ Medo de se candidatar para vagas ou promoções;
✓ Fuga de situações que a coloquem no centro das atenções;
 Vive acreditando que será descoberto como uma fraude.
 Apela constantemente para a autosabotagem em todos os seus projetos.
Se você se enxergou muito claramente nos sintomas listados acima, talvez você também esteja sofrendo da tal Síndrome do Impostor.
Entretanto, a boa notícia é que você não está sozinha nesse barco. São muitas as pessoas bem sucedidas e que a gente admira muito que também carregam esse padrão de pensamento debilitante.
A beleza da síndrome do impostor é você oscilar entre o ego extremo e uma sensação de: “Eu sou uma fraude! Oh Deus, eles estão em cima de mim! Eu sou uma fraude.” Então, você apenas tenta desenvolver um pouco de ego para fortalecer-se e então consegue lidar melhor com a ideia de fraude!
Tina Fey

Eu demorei muito para aceitar a possibilidade que meu problema não estava no meu talento ou competência. Foi muito complicado assumir em voz alta que talvez, o problema seja a maneira como eu me enxergo. Eu não sou uma fraude, mas me coloco constantemente no lugar de uma.

Já posso até te ver pensando: muito bem, mas como é que eu paro de pensar que eu sou uma fraude?
Eu adoraria afirmar que essa é uma tarefa simples e que pode ser realizada do dia para noite, todavia, isso vai exigir bastante esforço da sua parte e um ótimo “suporte” para ajudá-la a superar tudo isso.

Separei algumas dicas do que eu faço para reprogramar a minha mente quando ela começa a se perder na ladainha do: eu sou uma fraude que nem merece estar aqui. Não sou nenhuma profissional (e ajuda de um terapeuta é sempre ótima), mas espero que essas artimanhas te ajudem:

Não se compare com os outros
Já ouviu falar que a comparação é a mãe da insatisfação? Bem, provavelmente não, já que eu acabei de inventar esse ditado e espero que ele pegue, mas de toda forma, é a mais pura verdade. Tente pensar que as outras pessoas sempre estão em um momento diferente na jornada.
Bem provável que você desconheça todas as partes chatas da história daquela pessoa e esteja muito focado nas (aparentemente) infinitas qualidades dela.
Pare de se comparar tanto e tente fazer o seu trabalho da maneira mais extraordinária, maravilhosa e supimpa que você conseguir!
Procure a ajuda de um mentor
Um mentor é alguém mais experiente (pode ser um colega de trabalho, um professor de faculdade ou um amigo) que pode te dar conselhos e feedback honesto sobre os seus projetos. Tente cultivar essa relação na base da honestidade: explique para ele seus medos e anseios, peça críticas construtivas e tente escutá-lo com o seu bom senso (ou seja, nada de ficar achando que tudo que ele falar é um ataque ao seu trabalho ou capacidade).
Lembre de todo o seu potencial
Ao menos que você seja a pessoa mais sortuda do planeta (e se for, me liga, vamos andar juntas, jogar na loteria e etc…), é bem provável que você está onde está hoje pelo seu mérito. Alguém viu algo de especial e resolveu investir em todo o seu potencial.
Se você se pegar duvidando novamente do que pode conquistar, faça uma lista com tudo o que já conquistou nessa vida. Anote cada pequena vitória. Quando o diabinho da fraude vier te visitar, tire essa lista do bolso e se lembre do quão talentosa e incrível você pode ser.
Acredite nesse potencial todo!
Esqueça o seu perfeccionismo
Perfeição é um conceito abstrato. Já parou pra pensar que o seu “perfeito” pode ser o mal feito de alguém? Do mesmo jeito que o seu mal feito também será perfeito para alguém. Quando nos escondemos atrás do “ainda não está bom o suficiente”, perdemos valiosas oportunidades, deixamos de terminar projetos importantes e postergarmos uma suposta “falha” que muito provavelmente não ocorrerá.
Tente se lembrar que o feito é melhor do que o perfeito. Coloque a mão na massa e publique aquele artigo, pinte aquele quadro, escreva aquele livro, termine aquela coreografia e etc…
Encare os novos desafios
Pare de se esconder debaixo de uma moita segura e encare os novos desafios. Se você estiver sentindo medo, vá mesmo assim e dê o melhor de si.
Você nunca descobrirá tudo o que pode fazer se você nem ao menos tentar.  Já ouviu falar em “fake ‘til u make it” (esse ditado eu não inventei)? Se não está se sentindo 100% capacitada para uma tarefa, a encare mesmo assim, finja que está entendendo tudo e se esforce para que aquilo se torne a realidade.
Você (ou algum conhecido) sofre da Síndrome do Impostor? Compartilhe suas inseguranças comigo nos comentários abaixo!
XOXO
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1 Comment
  • Thay
    abril 24, 2016

    Me vi em tantos aspectos desse post que até assusta! Esse tipo de pensamento sempre ronda minha mente mas não fazia ideia de que, de fato, é alguma coisa. Às vezes é mesmo difícil a gente encarar a realidade de que somos boas naquilo que fazemos, afinal são muitas pessoas jogando contra (principalmente os colegas homens, aff). Gostei muito das suas dicas, vou tentar colocá-las em prática. <3
    Um beijo!

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